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Archive for the ‘compadrito’ Category

Dentre os típicos personagens do arrabal, destaca-se a oposição entre o guapo ou compadre no papel de mocinhos/heróis, bem como o compadrito, o compadrón e o malevo como mal-feitores ou bandidos.

cuchillero

A partir da segunda metade do século XIX, surgiu o guapo ou compadre, como presença forte e influente do subúrbio. Temido e invejado, estava preso a um código moral que lhe exigia valentia e “macheza”. Não podia fugir a uma luta, sob pena de desonra. Também deveria lutar até a morte, caso alguém cobiçasse sua mulher. A polícia preferia evitar confrontos com ele. Caso sobrevivesse a muitos embates, chegada a velhice, tornava-se um patriarca e recebia o tratamento de Don. Então, passava o comando para um sucessor que, de acordo com as normas, deveria respeitá-lo.
O compadrito, por sua vez, era desprezado, apesar de ser temido, principalmente pelas mulheres, que subjugava à força. Procurava imitar o compadre, mas faltavam-lhe a conduta, a força de liderança e a honra que pontuavam a conduta daquele. Era fanfarrão, inventava façanhas, provocava brigas, puxava o punhal por qualquer motivo, mas fugia ao primeiro sinal de resistência. Vivia cercado de aduladores, ainda mais desprezíveis.

compadrito

Imitador do compadrito, o compadrón era um covarde travestido de valente. Contador de bravatas e traidor, ganhava a vida como guarda-costas dos compadres, delator de polícia, porteiro de bordel ou gerente de casas de jogo clandestino.
Como último na escala do desprezo social, estava o malevo, trapaceiro e desleal, delinqüente ou assassino de aluguel. Forte com os fracos e as mulheres, era o terror do cortiço e o primeiro a fugir com a chegada da polícia.
É neste decór que Jorge Luis Borges ambienta seu conto “El hombre de la esquina rosada”, em cujo fundo, quase podemos ouvir um tanguito …

Confira o texto:
El hombre de la Esquina Rosada

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 Concomitantemente ao período de aceitação do tango na sociedade portenha, constituíram-se novas variedades formais e temáticas do mesmo. Os temas passaram a refletir a vida simples no arrabalde, cantando o bairro, as mazelas dos cortiços, os amores juvenis, a garota ambiciosa que cai na vida, o vestido de percal, símbolo de pobreza, a rua, a lua, o farolito, o pátio, a janela e a sacada da amada, o bandônion e o realejo. Seus personagens são malevos, compadres, compadritos, minas e taitas, com suas broncas e entreveros.

“Cotorrita de la suerte” de Sigfredo Pastor

 Também surgiu o tango campestre, que trazia temas de cunho rural, retratando a situação do gaúcho, cuja identidade, nesta época, era híbrida. Forçado a viver nos arredores da cidade, já não era mais um gaucho, mas também não se sentia um paisano. Gostava do ócio, desdenhava o trabalho fixo, remunerado, os horários urbanos. Sentia-se meio pária, meio imigrante em sua própria terra.

  Do tango arrabalero, cuja melodia foi influenciada pela música internacional, principalmente francesa, surgiram duas outras correntes: o tango romântico e o tango para cantar, posteriormente conhecido como tango-canção, que passou a apresentar argumento, ou seja, início, meio e fim, transformando-se em uma crônica popular e melódica, testemunha da vida cotidiana.

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